A regra de ouro da manutenção automotiva é clara: o que vencer primeiro. Se a montadora recomenda a troca a cada 10.000 km ou 12 meses, e você rodou apenas 3.000 km em um ano, o óleo deve ser trocado. Por quê?
O inimigo invisível: a oxidação
O óleo lubrificante não é apenas um líquido “grosso” dentro do motor. Ele é um pacote químico complexo, cheio de aditivos que protegem contra corrosão, limpam impurezas e controlam a temperatura.
Assim que o óleo entra em contato com o ar e com os subprodutos da combustão (mesmo que pouca), começa um processo chamado oxidação. Com o tempo (geralmente após 6 a 12 meses), esses aditivos perdem a eficácia. O óleo começa a:
- Ficar ácido: ataca metais do motor (bronzinas, anéis).
- Engrossar: perde fluidez na partida a frio (onde ocorre o maior desgaste).
- Formar borra: vira uma “graxa” que entope galerias de lubrificação.
Muita gente acha que uso severo é rodar em estrada de terra ou puxar peso. Na verdade, para o óleo, uso severo é o anda e para da cidade.
- Trajetos curtos: Sair de casa, rodar 15 minutos até o trabalho e desligar. O motor mal esquenta, gerando condensação de água e combustível dentro do cárter. Isso contamina o óleo rapidamente.
- Trânsito pesado: O motor gira, esquenta, mas a quilometragem não sobe. O óleo trabalha horas, mas o hodômetro marca pouco.
Nesses casos (maioria dos motoristas urbanos), as montadoras frequentemente recomendam reduzir o prazo pela metade (ex: trocar a cada 5.000 km ou 6 meses).
Mas meu óleo é sintético “Long Life”...
Óleos 100% sintéticos são muito mais resistentes e duráveis que os minerais ou semissintéticos. Eles suportam melhor a temperatura e demoram mais para oxidar. Porém, não são eternos.
Mesmo o melhor óleo sintético do mundo tem prazo de validade dentro do motor. Ele pode aguentar 15.000 km em estrada, mas se ficar 2 anos no cárter de um carro de pouco uso, seus aditivos anticorrosivos já terão “vencido”.
Sempre. Trocar óleo novo e manter filtro velho é jogar dinheiro fora. O filtro antigo retém cerca de 500ml a 1 litro de óleo sujo e contaminado, que vai se misturar com o novo na primeira partida, degradando o pacote de aditivos instantaneamente. A economia não compensa o risco.
Resumo para não errar mais:
- Consulte o manual: Veja o prazo por KM (ex: 10.000 km) e por TEMPO (ex: 12 meses).
- Respeite o “primeiro a vencer”: Se deu o tempo e não a KM, troque.
- Considere o uso severo: Se roda muito em trânsito urbano ou trajetos curtos, antecipe a troca.
- Olho no nível: Verifique vareta a cada 15 dias (carro frio, plano). Baixar um pouco é normal; baixar muito é vazamento ou queima.
Conclusão: Economizar na troca de óleo por rodar pouco é a famosa “economia porca”. O custo de uma troca de óleo anual é irrelevante perto do custo de retificar um motor fundido por borra ou falta de lubrificação